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Especialistas alertam para “risco invisível” de BPA em dispositivos médicos usados em hospitais

Especialistas alertam para “risco invisível” de BPA em dispositivos médicos usados em hospitais

Pesquisadores brasileiros estão levantando um novo alerta sobre a presença do Bisfenol A (BPA), um conhecido disruptor endócrino em dispositivos médicos e hospitalares, um risco pouco discutido, porém relevante, para pacientes internados e sob tratamento intensivo.

O BPA, substância química presente em muitos plásticos desde mamadeiras até embalagens e equipamentos hospitalares, já é amplamente reconhecido por sua capacidade de interferir no sistema hormonal humano e afetar órgãos como fígado e tireoide, especialmente em exposições durante períodos críticos da vida.

Embora sua presença tenha sido restringida em vários produtos de uso diário, estudos indicam que o BPA ainda pode estar presente em materiais plásticos usados em dispositivos médicos essenciais, como cateteres intravenosos, tubos de hemodiálise, sondas enterais e urinárias, equipamentos de oxigenação e outros dispositivos utilizados em unidades de terapia intensiva (UTI). Pacientes em tratamento prolongado nessas condições podem apresentar níveis mais altos de BPA no sangue e na urina, em comparação com a população geral, uma indicação de exposição sistêmica ao composto durante procedimentos médicos.

A equipe de pesquisadores conduziu uma revisão bibliográfica rigorosa, reunindo milhares de estudos científicos disponíveis, dos quais 12 atenderam aos critérios de análise aprofundada, destacando a escassez de evidências clínicas consistentes, mas também a tendência observada de aumento de exposição em grupos sob cuidados médicos intensivos.

A discussão sobre o risco não se limita ao BPA tradicional: plásticos rotulados como “BPA-free” (livres de BPA) muitas vezes contêm substitutos como BPS, BPF e BPAF, cuja segurança ainda não foi bem estabelecida em humanos. Por isso, especialistas defendem a necessidade de mais pesquisas toxicológicas e avaliações regulamentares para garantir que materiais alternativos sejam, de fato, seguros.

Comissões científicas internacionais, como o SCENIHR da União Europeia, já avaliaram a segurança do uso de BPA em dispositivos médicos e consideraram que o risco pode existir quando o BPA está diretamente disponível para exposição sistêmica, sobretudo em neonatos em UTIs, crianças em procedimentos prolongados e pacientes em hemodiálise grupos especialmente vulneráveis.

Especialistas destacam a importância de trazer esse “risco invisível” ao centro do debate público e científico, incentivando a produção de dispositivos médicos com menor potencial de liberação de BPA, regulamentações mais rígidas sobre materiais usados em ambientes de saúde e investimentos em estudos que avaliem os efeitos clínicos dessa exposição em diferentes populações de pacientes.

Fonte: The Conversation

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